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O que as buscas do Google dizem sobre os brasileiros na quarentena

Cerca de metade da população brasileira está isolada em casa há mais de um mês, desde o final de março. De lá para cá, reuniões viraram videoconferências e o código de vestimenta do trabalho passou a ser o pijama da noite anterior. Na outra ponta, empresas do mundo inteiro e de diferentes setores precisaram correr para digitalizar a operação, implementando ferramentas como vendas online e trabalho remoto para os funcionários.

Com a mudança brusca na sociedade causada pela pandemia do novo coronavírus, os focos de interesse do consumidor também mudaram, como mostra um levantamento inédito do Google obtido pela EXAME. Os dados apontam que termos relacionados a pijama, chinelos, equipamentos de exercício, games, entretenimento e até itens de cozinha tiveram algumas das maiores altas em buscas no Google desde que a quarentena começou.

No acumulado das quatro semanas entre 18 de março e 14 de abril, as categorias mais procuradas em volume absoluto de buscas foram supermercado (alta de 28% em relação ao mês anterior), games (alta de 48%) e moda (que, na contramão, viu o volume de buscas cair 24%).

Os games não só foram a segunda categoria mais buscada como os produtos que mais tiveram alta no interesse, de acordo com as buscas do Google. Em seguida vieram brinquedos (alta de 37% nas buscas) e tablets (30%).

Para além das categorias campeãs, alguns outros produtos se destacam pelo grande crescimento em alguns períodos, ainda que, no total, tenham menor volume de busca.

Exemplos são os aparelhos para se exercitar em casa: na terceira semana da quarentena, a partir de 28 de março, mais que triplicou a busca por termos relacionados a equipamento de ginástica e musculação domésticos (alta de 212%) e tapete fitness (alta de 291%).

Produtos como bicicleta ergométrica e esteira também viram as buscas dobrar. Na primeira semana da quarentena, a partir de 14 de março, esses itens já começaram a ver altas de dois dígitos, muitos acima de 40%. Mas o crescimento mais forte veio após um período mais longo de confinamento.

Na quarta semana da quarentena, a partir de 4 de abril, termos relacionados a máquina de costura e máquina de lavar louças também cresceram, com altas de 64% e 22%, respectivamente. Na segunda semana pesquisada, já havia ocorrido uma alta nas buscas por máquina de pão, que subiu 72% naquela semana, o que, segundo o Google, pode representar uma maior busca dos brasileiros por formas de cozinhar em casa.

Já os itens de mercado tiveram alta acima de 8% desde a primeira semana da quarentena, e explodiram na quarta semana, de 4 de abril, quando as buscas subiram 43%.

Com as pessoas trabalhando mais de casa, os móveis para escritório foram muito procurados na segunda semana da quarentena, crescendo 48% no período.

Vendas em alta

As categorias não tiveram só alta nas buscas, mas também nas compras. Dados da empresa de inteligência de comércio eletrônico Compre&Confie mostram alta acima de 40% em março nas compras pela internet em categorias como alimentos e bebidas, pet shop, esporte e lazer e instrumentos musicais. São categorias historicamente pouco compradas online, mas que tiveram alta em meio à quarentena, como mostra a reportagem de capa desta edição da EXAME sobre a mudança de comportamento nas vendas online.

Categorias como instrumentos musicais e pet shop, por exemplo, responderam só por 0,7% e 1,3% das vendas online no Brasil em março, segundo a Compre&Confie. Mas tiveram alta de 56% e 47% nas vendas, respectivamente.

No Google, as buscas desses segmentos também cresceram. Na primeira semana de quarentena, a busca por produtos de pet shop subiu 29%. A alta foi um pouco menor na semana seguinte, mas seguiu acima da média no mesmo período em janeiro, com alta de 11%. Já os instrumentos musicais tiveram alta de 11% nas buscas na segunda semana da quarentena e de 6% na semana seguinte.

Ainda é difícil dizer se as mudanças de comportamento vieram para ficar. Mas os dados do Google mostram que, por ora, os brasileiros estão cozinhando, se exercitando e jogando em casa muito mais do que antes — ao menos enquanto durar a quarentena.

Fonte:  Exame.com

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