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Uber pagará motoristas e entregadores em isolamento por coronavírus; apps lançam entrega sem contato

A Uber e as demais empresas de transporte e entregas via app anunciaram medidas que estão sendo implementadas para tentar mitigar os riscos a que seus chamados parceiros se expõem ao prestar serviços em meio à pandemia de coronavírus. No caso da Uber, uma das medidas inclui garantia de pagamentos àqueles que precisarem ficar em casa.

A empresa afirmou que qualquer motorista ou entregador diagnosticado com a Covid‑19 ou que tiver quarentena solicitada por uma autoridade de saúde receberá assistência financeira durante até 14 dias enquanto sua conta estiver suspensa. “Já ajudamos motoristas parceiros em algumas áreas afetadas e estamos implementando essa medida rapidamente em todo o mundo”, diz nota.

Em entrevista ao InfoMoney, Fabio Luiz de Queiroz Telles, advogado trabalhista e professor da Escola de Direito da PUCPR, explicou que, além dos riscos de saúde, os trabalhadores parceiros de apps correm risco do trabalho, já que não se enquadram em uma regulamentação efetiva no país.

“Hoje não tem uma lei que enquadra esse tipo de trabalhador e garanta seus direitos caso ele fique sem trabalhar por uma necessidade. Ainda estão desprotegidos pela legislação, só ganham se trabalham. Existe a jurisprudência que decidiu a favor do trabalhador em alguns poucos casos, reconhecendo o vínculo empregatício, mas ainda não é muito”, afirma o advogado.

Por isso, as pessoas que estão nessa posição devem seguir de forma rígida as recomendações das autoridades brasileiras de saúde para tentar se prevenir ao máximo. “Se a empresa optar por não pagar para seus parceiros os dias em que não puderem trabalhar, a solução é levar o caso para a justiça, e ai começar uma discussão em esfera legal”, diz.

Assistência financeira

A empresa informou que o valor da assistência será baseado nos ganhos diários médios do motorista afetado nos últimos seis meses.

“Se o motorista está na plataforma da Uber há menos de seis meses, seus ganhos médios serão baseados no quanto ganhou no período entre sua primeira viagem e 6 de março de 2020”, diz a nota da empresa.

Para motoristas dos EUA, a Uber apresentou uma simulação de valores. Por exemplo, se o motorista tiver um ganho médio diário de US$ 28,57, ele receberá US$ 400 (o valor diário multiplicado por 14). Se recebeu uma média de US$ 64,28 por dia nos últimos seis meses, terá uma assistência de US$ 900 para o período de 14 dias.

Para ser elegível à assistência financeira, o motorista ou entregador parceiro deve se inscrever no site da Uber e apresentar um documento que ou comprove que ele esteja com a Covid-19 ou um atestado emitido por uma autoridade da saúde solicitando a quarentena.

A assessoria da Uber explicou ao InfoMoney que os motoristas e entregadores que vierem a se enquadrar nesse grupo de pessoas diagnosticadas não serão prejudicados ao voltar ao trabalho – continuarão a receber normalmente sem ter que repor a quantia recebida durante os 14 dias de isolamento.

No Brasil, a empresa ainda não registrou nenhum caso cadastrado em sua plataforma e a assessoria afirmou que a companhia está seguindo a mesma política da sede americana, onde alguns casos já foram confirmados.

Conta bloqueada

A companhia também informou que tem uma equipe disponível 24 horas por dia para auxiliar as autoridades de saúde pública no plano de resposta contra a epidemia e que poderá bloquear a conta de usuário ou motorista/entregador parceiro temporariamente.

“Durante o nosso trabalho com as autoridades, é possível que ocorra a suspensão temporária de contas de usuários ou motoristas parceiros após a confirmação de que contraíram ou foram expostos ao COVID‑19. Também contamos com a consultoria de um epidemiologista para garantir que as medidas tomadas por nossa empresa sejam embasadas em orientações médicas”, diz a nota.

No caso do Uber Eats, a empresa informou que, se preferir, o cliente deixar uma instrução no app do Uber Eats para pedir ao entregador que deixe o pedido na porta, sem ter contato. Basta enviar uma instrução, como “por favor, deixe o pedido na porta” ou “toque o interfone e deixe na portaria”. O entregador pode ter acesso a essas orientações no app, em “Instruções de entrega“, assim que chegar ao endereço do seu cliente.

Outros apps
Rappi

A Rappi, por sua vez, explicou que está promovendo a conscientização entre seus usuários (incluindo clientes e entregadores) e estabelecimentos comerciais parceiros, além das medidas que já foram anunciada sobre os géis e máscaras.

“Ativaremos nosso serviço de entrega ‘sem contato’ e estamos trabalhando duramente para nos preparar para situações difíceis como vimos na Europa e na Ásia. Aprendemos com estes mercados e esperamos poder apoiar todos durante esta ocasião” diz a empresa.

A companhia afirma que está concentrada em encontrar as oportunidades para ajudar – embora não deixe de ser uma oportunidade de negócio.

A Rappi informou que percebeu um aumento significativo no número de pedidos de supermercado, o que acredita ser uma resposta dos usuários preocupados com o tema incerto e medidas de quarentena sendo tomadas em diferentes cidades.

“O aumento da região de SP foi de cerca de 30% no número de pedidos, principalmente em farmácia, restaurantes e supermercado. As pessoas se sentem mais seguras fazendo um pedido via Rappi e evitando concentrações massivas de pessoas. As categorias que registraram um maior aumento foram farmácias, restaurantes e supermercados”, segundo a empresa.

Orientação para funcionários

Os funcionários da Rappi seguem um procedimento rigoroso para reportar qualquer caso de contágio, segundo a empresa. “Os incentivamos a informar se possuem qualquer sintoma e também se eles, ou qualquer familiar, tenham confirmado que foram contaminados. O procedimento é feito com acompanhamento rigoroso do time de RH por e-mail e telefone, e toda a informação de mantém abaixo de uma gestão de proteção de dados restrita”.

No momento, e até uma nova ordem, todas as viagens (internacionais e nacionais) foram canceladas e a empresa está incentivando todos os funcionários que possuem a possibilidade de trabalhar remotamente de casa para fazerem, e está estruturando um plano com os líderes para manter acompanhamento permanente.

Cabify

Já a Cabify informou que ativou protocolos internos de urgência para contenção da situação, que foram desenvolvidos com referência nas recomendações de administrações públicas de saúde e outras organizações de referência dos países em que atua.

Além de monitorar o desenvolvimento da pandemia nos locais em que opera, a empresa orientou seus funcionários, de acordo com as indicações das autoridades nacionais e internacionais de saúde, “tais como a adoção do trabalho remoto e a circulação periódica de comunicações informativas sobre medidas de prevenção contra o Coronavírus”.

A empresa não forneceu mais detalhes sobre seus motoristas, apenas garantiu que tem um canal de comunicação aberto e direto com os motoristas parceiros, funcionando 24 horas por dia, 7 dias por semana, e que “permanece em alerta para qualquer apoio que se faça necessário”.

99

A DiDi Chuxing, dona da 99 e da 99Food no Brasil, criou um fundo especial de US$ 10 milhões para apoiar os motoristas e entregadores parceiros da empresa que forem diagnosticados com a Covid-19 nos mercados onde atuam.

Além disso, a empresa criou uma página de orientações sobre a pandemia em seu site e está enviando mensagens pelo aplicativo para auxiliar e orientar os usuários da plataforma no Brasil. “Outras ações sobre bloqueio provisório de motoristas parceiros relacionados ao diagnóstico do coronavírus estão em estudo e serão comunicadas nos próximos dias”, diz a empresa.

A 99 orienta todos os usuários e motoristas a seguirem as recomendações do Ministério da Saúde. “Se, mesmo tomando essas precauções, o motorista parceiro ou o passageiro apresentarem sintomas parecidos com o de uma gripe, como febre, cansaço, tosse seca, dores no corpo, congestão nasal, corrimento nasal, dor de garganta ou diarreia, ele pode ligar gratuitamente para o Disque SUS, no telefone 136, para obter mais informações e locais de atendimento”.

iFood

O iFood está realizando comunicações educacionais e outras iniciativas para entregadores, restaurantes, colaboradores e consumidores.

Para os entregadores parceiros independentes, o iFood criou um fundo solidário no valor de R$ 1 milhão para dar suporte àqueles que necessitem permanecer em quarentena. “A Ação da Cidadania fará a gestão do fundo. A orientação ao entregador que tenha suspeita ou confirmação da Covid-19 é que siga todas as recomendações de saúde transmitida pelos órgãos públicos e, assim que possível, comunique ao iFood pelos canais de atendimento”, diz a nota da empresa.

Os detalhes sobre o fundo solidário serão definidos e anunciados em breve. “É importante ressaltar que o canal de contato entre os entregadores e a plataforma é via chat do app, ferramenta rápida e efetiva de comunicação entre o iFood e seus parceiros que permite a comunicação em tempo real”.

Em relação aos seus colaboradores, desde o dia 13 de março, a empresa deu início ao revezamento nas sedes e a partir da última segunda-feira (16), adotou-se um modelo de home office total para todos os nossos escritórios.

“Reuniões internas e com fornecedores deverão ser realizadas por videoconferências. Todas os eventos presenciais, assim como viagens nacionais e internacionais, estão suspensas. Desde o início da pandemia, a empresa também disponibilizou álcool gel para todos os colaboradores e alterou a rotina de desinfecção de maçanetas, superfícies de contato e locais de alta circulação, aumentando a frequência de higienização”, diz a nota.

Assim, como as outras companhias, o iFood já está testando entregas com menor contato, onde o usuário pode combinar com o entregador via chat onde deixar o seu pedido. Em breve, anunciará outras ações para realizar as entregas sem contato que estão sendo estudadas para oferecer a melhor experiência aos entregadores parceiros, consumidores e restaurantes.

A empresa entende que ainda é prematuro para dimensionar o impacto da Covid-19 no mercado de food delivery brasileiro. “O iFood possui flexibilidade para ajustar rapidamente suas operações de acordo com as necessidades do mercado, e está em constante contato com as autoridades, inclusive sobre este tema”.

Fonte:  Infomoney
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